Imersão de Corpo e Movimento na Natureza – Primavera 2021

Respirar, extravasar e se inspirar para a virada do ano. Esse é o convite para o retiro que faremos no fim da primavera para fechar 2021. O tema será Reconfigurações, e a viagem acontece de 3 a 5 de dezembro. Veja detalhes abaixo. Inscrições aqui

Para assimilar os ciclos e passagens que marcam a vida do planeta e de cada um, abrindo horizontes ao que está por vir, é importante observar como corpo e natureza produzem reconfigurações de estruturas físicas, fluxos de troca e transformações que sustentam os sistemas abertos em sua vitalidade. A palavra Reconfigurações indica não só impulsos de reorganização mas também dinâmicas de interação entre elementos vivos, que geram desdobramentos em rede, envolvendo ser humano, sociedade e natureza.

Para investigar essas diferentes perspectivas e descobrir modos possíveis, seguros e inspiradores de estar novamente em um coletivo, o ConeCsoma convida você para uma imersão na natureza, de 3 a 5 de dezembro, em que iremos explorar “Reconfigurações” a partir do corpo e para além dele. Faremos isso por meio de consciência corporal, de interação com o ambiente e de experimentações do mover por fora e por dentro, em singularidades e conectividades. E ainda doses de reflexão, conversa, imagens e contemplação. Inscrições aqui

20181201_115126

Explorar como a vida se reorganiza a todo tempo, das dimensões mais microscópicas até os grandes movimentos do cosmos, é estabelecer uma ponte com o que nos torna parte e expressão do universo. E também nos conecta com o que gera no humano sua enorme potência de adaptação e aspectos de sua criatividade e construção de relações entre pessoas e o ambiente que habitam.

PERCURSO

icmn_2020e_paisagem

Nesse retiro no fim da primavera viajaremos para uma região de Mata Atlântica a cerca de 1h30 de São Paulo. Ali iremos dialogar com diferentes modos de reconhecer, vivenciar e expressar a ideia de Reconfigurações. E investigaremos novos modos de mover, encontrando potências e o prazer de perceber, reorganizar e acolher nossos movimentos e qualidades de presença no espaço.

Tudo isso, sob a perspectiva ecossomática de Ricardo Barretto, a partir de princípios do Body-Mind Centering® e de uma perspectiva sistêmica da ecologia e da comunicação. Sempre respeitando e valorizando as singularidades de cada um e as relações com os outros e o ambiente. E, claro, adotando protocolos de segurança para respeitar as restrições que a pandemia ainda nos impõe.

As experiências dessa imersão envolverão:.

> dinâmicas de consciência corporal e exploração do movimento para reconhecer perspectivas de Reconfigurações na estrutura, no movimento e nos fluxos do corpo e da natureza, desenvolvendo modos singulares de mover e interagir

> contemplação de manifestações de Reconfigurações nas estruturas e fenômenos da paisagem, aproveitando o ambiente como lugar de aprendizado e inspiração

> criação de repertório de movimento a partir da exploração de referências de Reconfigurações, gerando e apropriando-se de novos modos de mover e estar

> interação por meio de jogos de improviso e dinâmicas de movimento, estimulando a potência das relações vivas

> compartilhamento de percepções e descobertas a partir do que vivemos, e conversas sobre aspectos da sociedade e da ecologia a partir de noções da trajetória e dos tempos da vida humana no planeta e dos insights de cada participante

icmn_vr2019_22_tqgrp

As práticas têm início no sábado, 4/12, às 9h, mas encorajamos que todos e todas viagem na sexta-feira, 3/12, para integração de grupo à noite e para uma introdução experiencial à imersão do fim de semana.

*Ajudaremos a organizar caronas

*Estaremos hospedados na mesma casa e as refeições estão inclusas no pacote

Investimento: R$ 579,00 (pode parcelar)
15 vagas > daremos preferência a quem confirmar com antecedência
Reservas, Inscrições ou Dúvidas aqui

20180203_ricardobarretto

FACILITAÇÃO: RICARDO BARRETTO

Comunicólogo e educador somático, Ricardo é o mentor do projeto O Corpo Conecta e da abordagem ConeCsoma, que tem caráter educacional e terapêutico e promove conexões a partir do corpo e para além dele. Sua trajetória profissional de mais de 20 anos entrelaça comunicação socioambiental, educação transformadora e práticas corporais que vão da terapia à dança contemporânea. Seu trabalho bebe em três fontes: o entendimento da Comunicação como toda dinâmica de fluxos e trocas; o estudo de dança contemporânea e abordagens somáticas como o Body-Mind Centering® para reintegrar o corpo a todos os aspectos da vida humana; e as noções de interdependência e visão integrada que caracterizam o pensamento ecológico.

A fusão e aprofundamento da pesquisa desses saberes integrados teve início em 2008, com sua atuação profissional no Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP, e por meio de pós-graduações em Redes Digitais e Sustentabilidade (ECA-USP), Educação Transformadora (PUC-RS), da formação em BMC®, da atuação como facilitador e educador somático e da participação no Núcleo de Formação Integrada do FGVces.

SOBRE AS IMERSÕES DE CORPO E MOVIMENTO NA NATUREZA

Iniciativa que surge em 2017 como desdobramento das Experiências de Corpo e Movimento, que Ricardo Barretto oferece semanalmente no projeto O Corpo Conecta. A ideia é aprofundar a proposta de educação para o movimento e de conexões a partir do corpo. Daí, um mergulho na natureza, com mais tempo e inspiração para perceber e explorar os fluxos informativos que atravessam o corpo e o conectam ao ambiente, à sociedade e às nossas relações. Sempre de modo estimulante e com respiro para digerir os aprendizados que surgem, curtir a natureza e criar laços entre as pessoas. Atualmente, realizamos uma Imersão de Corpo e Movimento na Natureza a cada três meses.

EDIÇÕES ANTERIORES

20191201_124609.jpg

Verão 2021

Fim de Ano 2020

Primavera 2020

Verão 2020

Primavera 2019

Inverno 2019

Outono 2019

Verão 2019

Primavera 2018

Inverno 2018

Outono 2018

Verão 2017

Crise climática: quem está preparado?

Artigo de agosto na coluna de Ricardo Barretto na Revista Página22

O olhar acostumado com fotografias e micro vídeos ilude o corpo a intuir que as paisagens são cenários estáticos. Perante a atenção fugaz, um relevo permanece impassível a menos que surja uma grande perturbação natural ou que o ser humano nele interfira de modo abrupto. No entanto, quem estuda as dinâmicas das paisagens ao longo do tempo ou quem com elas convive e se dedica a contemplá-las sabe que as rochas movem, as dunas deslocam, as curvas de rio se alteram. Um timelapse fotográfico revelaria uma geografia em movimento constante, impulsionado por ciclos e acasos da natureza, assim como o mover de cada ser enraizado ou ambulante habitando aquele mesmo lugar.

Quem estuda as dinâmicas da vida em escala macro ou quem testemunha seu desenrolar sabe que todos esses elementos em movimento e interações mais ou menos voluntárias são essenciais para a vitalidade do meio. É esse fenômeno de ambientes que existem como seres vivos que muitas vezes escapa ao flagra da imagem instantânea e contribui para uma percepção empobrecida do humano sobre o planeta. Essa falha perceptiva contribui também para considerar perturbações da ecosfera como fenômenos pontuais, dignos de pesar, mas que não pesam na dinâmica do todo e muito menos afetam a vida do expectador distante.

[Foto: Andreas Dress/ Unsplash]

Então surgem acontecimentos e notícias de que grandes mudanças estão em curso no local onde se mora… e com elas um susto … e com ele o medo … e com ele a negação… e com ela a inação. Quando esquecemos que o planeta é vivo, acreditamos que ele possa sempre ser consertado, remediado, reorganizado por uma entidade externa, como se faz com máquinas e objetos entregues a uma assistência técnica.

Parte da dificuldade do grande público em digerir as novas informações que chegam dos estudos do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) está no fato de que, em um só golpe, põem-se em cheque as condições de vida de todos que habitam qualquer lugar, em um tempo histórico curto e em uma escala de efeitos enorme. Se as pessoas nem se lembravam que o planeta vive como um organismo, como podem elaborar que ele está padecendo e com ele podemos todos perecer?

Sentir-se à parte e à mercê do planeta vivo tem a ver com sentir-se à parte da condição coletiva da sociedade. O olhar com medo é um olhar solitário. É uma mirada egocêntrica que se confere um papel central na mudança e, assim, acredita-se incapaz de fazer algo significativo para modificar uma realidade tão maior. Ironia do destino é saber que foram os impulsos integrados de cada habitante ensimesmado que levou a mudanças em escala tão vasta. O tempo que resta pouco é, portanto, não só o de reverter processos, antecipar impactos, compensar desarranjos. O tempo que resta pouco é o de restituir a noção de que somos os diversos elementos de uma paisagem movediça que a alteram a cada instante por ações voluntárias e involuntárias.

O chamado da emergência climática é mais do que uma corrida pelo estabelecimento de novos processos econômicos, de novas soluções tecnológicas, de novas políticas de adaptação e mitigação. As mudanças do clima convocam um novo arranjo civilizatório, distante do paradigma do individualismo, da maximização de lucros em detrimento da vida, da construção de valor de existência a partir do vigor de consumo. E toda mudança civilizatória implica uma mudança da percepção do corpo sobre a realidade que habita, essencial para que emerjam outras éticas e pensamentos.

Um primeiro passo é vencer o vício sináptico que vincula uma tomada de ação concreta à ação hipotética do outro. Não levar em consideração se alguém mais vai agir implica, paradoxalmente, uma confiança cega no sistema integrado em que outras ações silenciosas estão sendo tomadas e que isso faz o sistema mover, não importa em qual intensidade.

Às vezes essa ação é uma mudança no consumo, às vezes é modificar a carteira de investimentos, discutir novas políticas na empresa onde trabalha, educar-se sobre a crise planetária, pedir atenção ao clima na escola das crianças, modificar decisões de negócio, definir novos rumos para a economia e a legislação, replantar o que está desmatado, eleger candidatas e candidatos atentos à questão climática, pressionar diferentes atores para que tudo isso aconteça; e é também postar e abrir conversas, mas certamente não é apenas uma dessas coisas.

A lógica das paisagens vivas que mudam ao sabor dos pequenos e grandes elementos que a compõem é que todos fazem parte de um sistema integrado. Todos os movimentos são necessários para um desdobramento, inclusive aqueles que estão para além da abordagem racional da realidade, como novos estímulos ao corpo que carece de outros caminhos sinápticos, sensoriais e afetivos para lidar com a humanidade e a natureza da qual faz parte. A única coisa que não cabe no sistema vivo que se perpetua é a inércia.

https://pagina22.com.br/2021/08/23/crise-climatica-quem-esta-preparado/

Nova turma da Formação Integrada para a Sustentabilidade na FGV

Esquecidos, negligenciados, esconfidos ou imaginados, os rios de #SaoPaulo continuam existindo apesar da relação conturbada com os habitantes da #cidade ao longo da #história E o que revela essa relação entre as #pessoas e os #rios paulistanos sobre a #humanidade do século 21? Esta é a pergunta que move a nova edição do @fis_fgv que teve início esta semana. Em breve, mais atualizações sobre nosso percurso formativo. https://www.instagram.com/p/CSOwo0mnkC4/?utm_medium=share_sheet