Sexualidade humana como movimento civilizatório

Ancestrais humanos de diferentes espécies já se encontravam e geravam miscigenação de culturas e DNAs há 13 mil anos. Essa é uma constatação científica recente de estudos sobre evolução. Mas é também fruto de um olhar interessado pelo ser humano. No século XIX, Darwin observava seus filhos com a curiosidade de quem testemunha uma espécie realizando-se a cada momento. E isso foi uma influência importante para seu trabalho.

O interesse, a curiosidade e o prazer de descobrir o outro sempre moveu encontros entre culturas do Homo sapiens sapiens. Ajudou a diversificar o código genético e os modos de ser e estar dos humanos no planeta. Incluindo, é claro, o modo como nos tocamos, expressamos, desejamos … como nos relacionamos no afeto e no sexo. Não à toa, é falaciosa a ideia de um DNA puro – assim como não existe um tipo de comportamento que possa ser definido e replicado para quem quer que seja, sem que se prejudique potências e poesias de ser humano.

Os corpos revelam registros vivos dessa história, às vezes de modo ativo e autêntico; às vezes marcados na violência psíquica e física dos estranhamentos e repulsas. Ainda que a crueza se instaure com frequência, vitimando mais quem é mais vulnerável, a essência humana de exalar o que não ousa dizer seu nome está sempre lá, enquanto houver carne, fluidos, pele. Mesmo nas guerras, nas diásporas, nas exclusões … se existe o humano, existe a potência do encontro nas mais diferentes camadas e variações. O único modo de calar ou suprimir seria não mais havendo humanos.

A própria ciência que já se prestou a rotular e apartar, hoje reforça com frequência o fato qualidades humanas que vão para além dos discursos e práticas opressoras. E se ainda é comum classificar humanos segundo fenótipos e comportamentos aparentes, lá vêm aquele vídeo de um fenômeno espontâneo entre pessoas desconhecidas mostrando que nos assemelhamos mais do que costumamos acreditar. É sempre reconciliador lembrar que inspiramos interesse mútuo quando baixamos a guarda e convidamos os sentidos a receber e surpreender-se.

É aí que as paradas LGBTQ mundo afora são convites para celebrar essa potência humana no encontro e na diferença, mesmo que você estranhe show de drag, gogo boy em carro alegórico, música de balada, gírias específicas, gestos espalhafatosos, androgenia, gênero fluido, palavras de ordem, luta por direitos.

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