Relação entre deserto e floresta revela conexões como as do corpo

Godzilla foi o nome dado à nuvem de areia vinda da África em direção à América no Hemisfério Norte. Mas esse fenômeno não é novo e tem um lado bem menos assustador. Hoje é sabido que a areia do Deserto do Saara tem participação importante na formação de chuvas e na fertilização dos solos da Amazônia.

Sim, a floresta tem uma relação íntima com o deserto e nos mostra como o planeta é interconectado. Também faz pensar que se em dimensões tão gigantescas existe uma conexão entre fenômenos e formas de vida na natureza, é mais do que esperado que ações humanas que parecem isoladas tenham desdobramentos sobre o meio ambiente.

E que no corpo humano, a mesma dinâmica acontece: nossos órgãos e nossos hábitos, as químicas que nos formam e as que trazemos de fora para dentro – voluntária ou involuntariamente – têm enorme influência sobre a vitalidade do corpo. Reconhecer essa integração é perceber a poesia da fisiologia e assumir

Abaixo, referências para você ir mais fundo nessa reflexão ecossomática.

O que é a ‘nuvem de poeira Godzilla’, que viaja 10 mil km do Saara para as Américas

Do Saara à Amazônia: 4 impactos bons e ruins da poeira que viaja do deserto até a América Latina

Como o deserto do Saara participa do regime de chuvas da Amazônia, a 5 mil km de distância 

Vídeo da Nasa mostra como Amazônia é fertilizada pelo deserto do Saara

 

Foto de Sara Lusitano e imagens de satélite da NASA

De camelos, humanos e educação transformadora

A imagem de um comboio de camelos e humanos com seus pertences, movendo-se em um deserto sem fim em direção ao seu destino. Essa é a definição de Orcha, na língua hebraica, usada pelo filósofo Gur-Ze’ev para ilustrar a dinãmica de uma educação transformadora.

Um movimento improvisado a partir de repertórios e insights, que consiste em encontrar ou criar o seu próprio caminho. Na Orcha não há uma total determinação pela soberania territorial, nem mesmo pelo conhecimento e pelas pessoas dominantes.  É uma espécie de união em movimento… Algo parecido com o que temos feito no FIS (Formação Integrada para Sustentabilidade- FGV) nos últimos anos.

Foto aérea: George Steimetz
Foto pôr do sol: Joe Kennedy/AFK

Memória emerge do corpo, da experiência, da cultura

Na história, na sociedade e também no corpo a memória é viva: reorganiza os afetos ao sabor da experiência. Essa dinâmica se aplica para a sociedade nos dias atuais e também para a vida de cada pessoa no contexto da pandemia.
As experiências mudam nossa perspectiva sobre nossa relação com o mundo e assim traz impulsos para revermos nossos entendimentos.
O revisionismo não fala nada do passado, fala do presente – disse o historiador Leandro Karnal. Das narrativas sobre a colonização das Américas, da relação com a natureza e com os povos originários do continente, até as questões sobre escravização do povo negro, as narrativas sobre raça, protestos na rua e a remoção de estátuas. Todas essas mudanças de perspectiva histórica e seus discursos são estímulos para examinarmos como nos relacionamos com cada uma dessas narrativas: onde as reforçamos, onde contribuímos para sua mudança.
Por trás da construção de discursos, estão nossos gestos, as formas de relação entre humanos e de nós com o ambiente. Mudar a história é construir novas experiências de corpo e alma.
Imagens: Instalações de @chiharushiota , espetáculo “A Vida Começa pela Memória” da Cia Intérpretes Independentes (por Suane Melo), Remoção da Estátua de Robert Milligan em Londres (BBC), Memorial dos Povos Indígenas (por Tony Winston/Agência Brasília), Tree Cover (por Global Forest Watch).