Diferentes sentidos de emergência para mover os anos 2020

Nossa probabilidade de seguir adiante aumentará se formos um pouco piegas, um tanto alarmistas e muito participativos. Temos sinais de que essa combinação é capaz de bons frutos, como mostram os exemplos de Greta Thunberg, dos voluntários nas praias do Nordeste e do plantio de árvores para conter o avanço do Saara

Por Ricardo Barretto*

Brincar que a virada do ano inaugura um novo momento na vida é um rito de respiro, que se configura a partir de retrospectivas, esperanças e desejos para o futuro. Essa tradição de criar um imaginário subjetivo e coletivo de renovação ganha outro tom na passagem para 2020. A partir de agora, as promessas e desejos de cada pessoa implicam uma contrapartida planetária.

Se você pediu conquistas materiais para um futuro melhor, este será desfrutado apenas em meio a alguma vitalidade ambiental. Para quem desejou coisas boas para os filhos ou netos, as alegrias de um caminho auspicioso dependem de algum equilíbrio climático. Se o pedido é por saúde, o corpo são ainda precisará de um ambiente sem catástrofes para se perpetuar. O voto é de paz? Ela depende cada vez mais da disponibilidade de recursos naturais e das condições de vida na sociedade. Mudanças na política? Qualquer cenário mais harmônico para este ou outro país se materializa apenas se as nações lidarem com os desafios socioambientais, que variam nos territórios, mas fazem parte de uma realidade integrada e inescapável. Somos a civilização da emergência!

Alguns podem ler essas palavras com desânimo, vislumbrando a nuvem ameaçadora no horizonte. Mas existe um aspecto poético e uma chance de redenção para a humanidade neste século XXI: estamos involuntariamente unidos em uma trajetória comum. Os conhecidos, os incógnitos e aquela pessoa ao lado cujas ideias soam intoleráveis. Incluem-se aí até mesmo os que têm mais recursos e poderão melhor se adaptar a contextos inóspitos caso o clima e a biodiversidade entrem em colapso. Porque sobreviver assim seria algo como viver em Marte: um exercício difícil, cheio de restrições, bastante isolado e provavelmente frustrante. Não soa como uma boa aposta num mundo onde o isolamento digital e o esgarçamento das relações de carne e osso já produzem uma epidemia de depressão.

Para chegar até o fim do século, podemos renovar as esperanças e lançar muitos desejos ao além. Mas para cada fio de otimismo temos que empenhar doses de envolvimento prático com a construção de um porvir que só será bom para cada um na medida em que leve em consideração o sistema integrado. Mora aí um outro sentido da palavra emergência: aquilo que surge do improvável, das contradições, das relações entre parte e todo, dos modos como uma ação alimenta outra, dos fenômenos que se desdobram exponencialmente.

Até outro dia ainda parecia aceitável vivermos com agropecuária sem floresta, cidades sem resiliência, consumo sem limites, economia sem natureza, política sem o socioambiental. Mas a opção de viver no planeta sem prestar atenção a sua essência entrelaçada chega à exaustão. E continuar por esse caminho significará perecer. É o que oficializaram os últimos cenários científicos sobre o clima; os incêndios na Califórnia, na Sibéria e na Austrália; as secas e enchentes na África e na Ásia; o fracasso da Conferência do Clima em Madri.

Parece piegas? Alarmista? Talvez. Mas nossa probabilidade de seguir adiante aumentará se formos um pouco piegas, um tanto alarmistas e muito participativos. Temos sinais de que essa combinação é capaz de bons frutos, como mostram os exemplos de Greta Thunberg e dos voluntários nas praias do Nordeste.

Vale resgatar ainda outro exemplo bastante simbólico e pragmático. Nas bordas do Saara, no Norte da África, os países do Sahel se juntaram para criar a Grande Muralha Verde frente ao avanço do deserto, que ameaça a economia, as condições de vida de milhares de pessoas e o equilíbrio ambiental de uma região enorme (foto acima). E estão fazendo isso plantando milhões de árvores em uma faixa de 8 mil quilômetros que será um sorvedouro de carbono da atmosfera e irá conectar diferentes países, perspectivas políticas, economias, culturas, contextos sociais. Nada mais piegas, alarmista e integrador.

Outro caldo bem temperado com pieguice, alarmismo e chamado à ação vem da campanha Countdown, da plataforma digital de conhecimento TED. A embaixadora da campanha é Christiana Figueres, aquela que relativizou os sinais avessos da política para liderar a costura do Acordo de Paris sobre o clima, em 2015. E agora evoca um grande movimento mundial, que une nomes de peso, informação sobre riscos, esperança para mudanças, e estabelecimento de ações concretas para lidar com a urgência climática.

Esses quatros exemplos falam das qualidades humanas que emergem para enfrentar desafios. Falam de como percepções sobre incômodos, riscos e oportunidades podem ser transmutadas em movimento, em ação. Falam das potências do intelecto e das habilidades do ser humano que emergem da integração entre órgãos, tecidos vivos, fluidos, impulsos elétricos, sensorialidades e da relação constante com o ambiente e as pessoas. Mas pode ser que esse discurso faça sentido e mesmo assim não mobilize o leitor a explorar suas possibilidades de influência e mudança em meio ao seu cotidiano.

Bem, a dose a mais de empolgação necessária pode estar da pele para dentro. Para quem se flagra como um corpo sem impulso para transformação – sem preenchimento até – o novo ano é a chance para cultivar práticas que alimentem sua “propriocepção”. Como assim? Prestar atenção ao caráter sistêmico do corpo é reconhecer, em uma dimensão reduzida, a mesma condição integrada que se replica nos fenômenos do planeta. Uma espécie de empatia “ecosubjetiva” que revela como micro e macromudanças podem ter efeitos relevantes para a reorganização do sistema como um todo. Mais do que isso, ativar a consciência corporal e possibilidades de criar outros modos do corpo mover estimula o sistema nervoso a formar sinapses que dão conta de pensamentos e ações fora do padrão cotidiano. E é essa mudança de padrões que se faz crucial neste momento.

As grandes e pequenas decisões, que darão o tom das enormes transformações que devem se operar nos próximos dez anos, virão de seres humanos que preenchem seu cotidiano de um modo ou de outro; que alimentam ou negligenciam seu universo de percepção e expressão no mundo; que percebem ou ignoram o caráter sistêmico do planeta e da sociedade.

Assim como o meio ambiente não sustenta mais ser tratado como uma obra de engenharia ou um repositório de recursos, os corpos humanos que almejam atravessar este século precisam abdicar de antigos modos de ser, reconhecendo e nutrindo suas complexidades e potências mobilizadoras. Honrar essa propensão à renovação gera condições para que emerjam as contrapartidas que o planeta vivo demanda de nós.

*Mentor do ConeCsoma, Ricardo Barretto escreve mensalmente para a Revista Página22.
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[Foto: Great Green Wall]

O piche sobre a diversidade brasileira

Um governo dedicado a enfraquecer a cultura do próprio país tende a ser conivente com a devastação da natureza que o ocupa

Por Ricardo Barretto*

Já está claro que parte da inércia do governo federal em atuar frente à invasão das manchas de óleo no litoral no Nordeste está conectada ao desmonte dos órgãos ambientais, à incompetência na gestão de crises e à política negligente contra o meio ambiente. Já vimos isso ocorrer em relação às queimadas devastadoras na Amazônia, apontando para um padrão de gestão e de ideologia.

Existe, no entanto, uma dimensão sutil que torna esses episódios ainda mais alarmantes, ao mesmo tempo em que revelam a consistência entre discurso e práticas do governo. O declínio na diversidade biológica de um ecossistema costuma ser acompanhado pelo declínio na diversidade cultural da sociedade que o habita. Essa é a perspectiva que Evan Eisenberg traz em seu livro The Ecology of Eden. Ele ajuda a explicar o fato de que um governo dedicado a enfraquecer a cultura do próprio país também seja conivente com a devastação da natureza que o ocupa.

A diversidade – seja biológica, seja cultural – afronta os valores defendidos pelo presidente da República, que encara a riqueza da paisagem como um cenário pasteurizado de resort internacional ou como as grandes extensões da monocultura planificada. Ao mesmo tempo em que riqueza cultural é equiparada, em seus discursos, a valores muito restritos do que é família e a uma reverência desmedida à cultura dos Estados Unidos. Certamente, não na força de seu caráter afroamericano, que em nada combina com frases segregacionistas do presidente, mais próximas do viés de supremacia branca, patriarcal, excludente e avessa às misturas.

As falas e atos falhos do presidente revelam uma raiz ainda mais profunda dessa questão. O incômodo com corpos nus, livres e que se manifestam artisticamente, engrossa o caldo antidiversidade que é mantido em fogo alto pelas políticas de governo, nos ministérios da Educação, dos Direitos Humanos e na Agência Nacional do Cinema (Ancine). Na perspectiva da ecossomática, atentar contra a diversidade do ambiente é uma medida coerente com um governo que é contra a diversidade dos corpos que vivem suas potências internas e relacionais, seu caráter natural e cultural, suas autonomias, integrações e interdependências.

[Ecossomática é um novo campo de estudo que vem se configurando em anos recentes e aborda relações entre ecologia e o corpo, em uma perspectiva de integração entre ser humano e natureza]

A cruzada contra a diversidade é fruto de um pensamento permeado por crenças, não por diálogo. Daí que fatos e dados sejam tão facilmente deturpados ou refutados, quando a missão é fragilizar a diversidade. Vimos as insinuações e notícias falsas sobre o envolvimento de ONGs tanto no caso do óleo no Nordeste como do desmatamento na Amazônia, assim como testemunhamos a contestação de dados científicos dando conta da extensão do impacto na costa brasileira ou o aumento dos índices de queimadas apontado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – que chegaram a ser classificados como mentirosos.

Os dois casos ilustram uma atitude deliberada em recusar a compreender ou a reconhecer o caráter sistêmico da vida, altamente associado ao elemento da diversidade. Na Amazônia, a correlação entre a floresta, a produção de chuvas, a regulação climática, o sustento de populações locais, o alicerce de culturas indígenas. Sem falar os aspectos econômicos das condições ambientais de produção da agropecuária e dos desdobramentos de imagem para o comércio de exportação. No litoral nordestino, a inércia do governo atenta contra a interdependência entre a vida marinha e o sustento das comunidades pescadoras, as atividades do turismo, os elos emocionais e culturais entre os habitantes locais e a zona costeira.

Se os corpos humanos manchados de petróleo e já adoecendo não parecem surtir grande efeito sobre o impulso à ação das autoridades, o que dirá das imagens do piche em animais e na paisagem, ou dos dados científicos que detalham a extensão dos riscos imediatos e futuros.

É a mesma frieza com que se encaram as manifestações sobre a cultura. Nesse campo, na verdade, a indiferença dá lugar a agressões, a investida contra a diversidade mal passa pela construção de discursos mitigadores. Está patente desde os vetos da Ancine até as afrontas verbais e burocráticas contra os artistas. Assim como proliferaram nas redes, nas ruas, nos discursos, no ambiente doméstico e na truculência policial os episódios de violência contra os corpos que representam a diversidade – as mulheres, os negros, a população LGBTQI.

Quando os discursos de campanha já anunciavam que as políticas sobre meio ambiente e cultura mudariam drasticamente, ao mesmo tempo em que prometiam uma dedicação inédita à “pauta de costumes”, não se tratavam de focos difusos de uma mente obstinada. Estava em questão – consciente ou inconscientemente – uma conexão fundamental entre o que representa a diversidade ecológica e a diversidade cultural para uma nação. Especialmente, para um país onde, goste-se ou não, esses são elementos de uma identidade nacional.

Quando as pessoas no Nordeste se mobilizam para limpar o litoral, dão uma resposta na mesma medida: uma manifestação que é de sobrevivência e ao mesmo tempo socioambiental, cultural e política. Um gesto de corpo e alma, que reafirma a relação entre cultura e ambiente e a possibilidade de conexões apartidárias e acima das ideologias. O apoio a esse e todos os movimentos que reforcem a relevância dos elementos da diversidade no Brasil é fundamental para estreitar os limites das ações e inações de governo que atentem contra esse valor vital.

*Ricardo Barretto é o mentor do ConeCsoma e escreve mensalmente na Revista Página22
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Foto: [Bombeiros fazem limpeza e monitoramento de praias do Litoral Norte baiano. > Elói Corrêa/GOVBA]

Como nosso corpo é afetado pela tecnologia digital e como isso impacta as relações sociais

Se pensarmos que o corpo humano foi moldado por milhares de anos para reconhecer, afetar e ser afetado pela riqueza da troca presencial, dá para imaginar a aridez que representa o contato virtual. Dá para entender também tanta sensação de vazio, tanta dificuldade de diálogo, tanta aspereza no trato social – justamente na era da sociedade em rede

A busca da palavra única, autoritária, coincide com a busca de um território sem variações, com uma trama digital sem matizes, com perspectivas sem nuances, diversidade ou consistência. Planificar é um verbo fundamental desse projeto, que se opera em todas as dimensões. Na ambiental, por exemplo, impõe-se queimando, desmatando, drenando a diversidade e achatando a tridimensionalidade natural dos sistemas vivos. E assim prossegue na pauta de costumes, na cultura, na educação, na ciência.

Análises políticas, denúncias jornalísticas, argumentos científicos, alertas sociológicos e psicológicos proliferam para apontar os descaminhos que vivemos hoje no Brasil. Mas em meio à verborragia planificada no digital, um elemento é negligenciado apesar de onipresente.

Para acessá-lo, vale resgatar uma premissa fundamental de diferentes teorias da Comunicação que é o fato de a tecnologia exercer grande influência sobre os modos de perceber, pensar, dialogar, interagir e expressar-se na sociedade. Se convocamos o auxílio da neurociência para compreender esta perspectiva da sensorialidade humana, temos que a cognição não é um produto isolado do cérebro, mas um desdobramento do arranjo integrado de todo o corpo, incluindo suas diferentes estruturas e camadas, suas habilidades sensórias e perceptivas, suas emoções, impulsos, sentimentos e expressões psicomotoras, e suas relações com o ambiente.

Portanto, os efeitos da tecnologia sobre o humano são efeitos sobre o corpo. E como tem passado o corpo dos brasileiros conectados às redes digitais? A cultura de uso intenso dos smartphones significa, por exemplo, que passamos muitas horas imersos na relação com as telas, com um campo visual estreito e bidimensional, e um conjunto de estímulos limitados e muito focados na visão, convocando a cabeça baixa e alguns poucos movimentos de mãos e dedos. Ou seja, a riqueza da sensorialidade e das habilidades do universo corporal, em todas as suas camadas e conexões internas e com o ambiente, é evocado de modo acanhado.

Isso representa menos estímulo ao caráter conectivo reticular do corpo e mais estímulo a uma conectividade reativa e impulsiva. Esbravejamos, reclamamos, replicamos … mas a criatividade, o devaneio, o pensamento capaz de alçar voos na imensidão da mente ficam mais propensos a voos de galinha do que voos de condor.

O simulacro de contato com o outro, via digital, também reduz as trocas presenciais, que são onde a imagem do outro ganha tridimensionalidade, gestos dos pés à cabeça, micro expressões no rosto, nas mãos, nos membros e tronco; onde a conversa tem nuances de temperatura, empatia, desacordos, negociações mediadas por uma orquestração psicobiofísica contínua, bem diferente das frequências homogêneas e planificadas do digital.

Se pensarmos que o corpo humano foi moldado por milhares de anos para reconhecer, afetar e ser afetado pela riqueza da troca presencial, dá para imaginar a aridez que representa o contato virtual. Dá para entender também tanta sensação de vazio, tanta dificuldade de diálogo, tanta aspereza no trato em sociedade.

Não digo que esta sensação que paira no ar de um desarranjo constante seja apenas pela carência do corpo. É claro que todo o contexto político, social, econômico e ambiental que temos vivido exerce pressão implacável sobre todos nós. Mas o fato é que a ausência da primazia ancestral do corpo na contemporaneidade humana alimenta um desalento muitas vezes difícil de reconhecer, de dar nome, de dedicar cuidado.

A pauta aqui não é uma mera questão de sedentarismo, de ir ou não à academia. O assunto é o corpo em suas camadas entrelaçadas … todas elas: as físicas, as subjetivas, as transcendentais. O corpo entorpecido pelo estresse e pelo digital vai afrouxando e deixando de viver esses entrelaçamentos. E de construir sentido a partir deles.

A falta de experiência conectiva do corpo destreina o sistema nervoso – também uma rede viva – a operar, buscar e fazer conexões; a reconhecer e degustar os modos integrados de ser e de estar no mundo. Aumenta, assim, a dificuldade de ser conectivo para além da pele e de ser integrador através do digital. E justamente na era das redes…

Mas esse não é um texto para ser coroado com um emoji de lágrima escorrendo. Este é um chamado para os que são ativistas, os que sentem falta de entrosamento, os que carregam o peso da solidão, os que não conseguem fugir da raiva, os que não conseguem superar a apatia, os que não escutam, os que não abraçam. Tantas condições fragilizadas de comportamento, tendo em comum o mesmo catalizador: a falta de corpo em camadas.

Dificilmente construiremos alternativas às conjunturas que nos desagradam sem mudanças de mentalidades. E transformar fluxos cognitivos implica transformações do corpo – nossa dimensão mais singular, eloquente e onipresente. Assim, além de arregaçar as mangas pelo que se quer, pode ser muito fértil redescobrir o corpo que é ecossistema por dentro e que compõe redes em fluxo por fora.

É preciso reconhecer se cada um de nós está perdendo vitalidade, fechando-se no corpo próprio. É preciso cultivar a respiração, o toque em si e no outro, o abraço, o afeto, o contato. É preciso experimentar liberdade de movimento, de expressão estética, de ludicidade, de descanso e de degustação do universo interno. Corpos com vitalidade, com escuta aberta a perceber seu caráter integrado, são corpos ativamente políticos. Mantêm o sistema nervoso estimulado a reconhecer os fenômenos integrados do mundo. Estão preenchidos e aptos a lidar com as impermanências de hoje, e a instigar a conectividade com os demais. É o que diz o neurônio-espelho e milênios de aprendizado humano pelo contato, pela observação e pela experiência conjunta.

Num momento em que aparecem poucas alternativas além do espernear, dar a chance para o inusitado, o simples, o que está escondido no trivial, pode ser tão efetivo e ousado como foi o movimento das mulheres de Atenas na guerra do Peloponeso. Então dedique uma semana a experimentar seu corpo de outro modo. Que seja um segredo seu, mas experimente.

Perceba que toda ação é um sinal de vida do corpo. Andar na rua é modificar a paisagem de um espaço tridimensional. Respirar é cultivar diálogo entre o ambiente e o sangue. Cruzar olhares é assimilar outro humano único como você. Tocar-se é ativar seu universo sensorial. Permita-se pequenas transgressões de seus padrões. Divirta-se com suas estranhezas e dos outros. Busque atividades para acessar as camadas entrelaçadas esquecidas.

Se não surtir efeito, sempre haverá a rotina digital de todo o dia. Mas se acender algo diferente em seus sentidos, se brotarem desdobramentos que vão além do corpo, continue a experiência na semana seguinte e na outra … e na outra…

*Artigo publicado em 15 de setembro, pela Revista Página22. Acesse aqui