Restrições e estímulos ao corpo pelo online

Chegamos a 3 meses de atividades online. Como tem sido? Certamente são bem diferentes do encontro presencial que permite sentir o grupo em cada experiência ou a pessoa em cada atendimento. O 2D das telas deixa de lado a interação e a convocação dos sentidos todos do corpo. Também não é possível tocar para orientar melhor as investigações de consciência corporal e movimento. Sem falar nas saudades de mover livremente em um ambiente 3D, aguçando a percepção do espaço, sem as distrações da tela.

Mas o online traz surpresas que as rotinas, tempos e hábitos da cidade às vezes não permitem. É o que dizem os depoimentos de pessoas que descobriram novas sensações e se permitiram algumas ousadias na dança por estarem no acolhimento de casa, sem o acanhamento que o olhar do outro pode trazer. Também as possibilidades de romper com a apatia da quarentena, descobrindo novos modos de interagir com o lugar que se habita e de reconhecer a si mesmo. Ou ainda perceber a planificação das telas é desafiada quando engajamos as diferentes camadas do corpo, das mais físicas às mais subjetivas e transcendentais.

Continuamos esperando pela volta do presencial. Mas inspirados pela potência que atravessa o online. Junte-se a nós: conecsoma.com.br (link na bio) ou mande mensagem.

Outros impulsos para quarentenas em família

Mães e filhas se juntaram numa coincidência inpiradora nas Experiências de Corpo e Movimento desta semana. Em uma das telas, duas jovens irmãs, que navegam pelas atividades do ConeCsoma há alguns anos, estavam acompanhadas pela mãe. Em outra tela, uma bailarina ativista, parceira há tempos, reuniu a filha e uma amiga para sensibilizarem a percepção e ativarem os corpos.

O tema da noite já era bem instigante – relações com a gravidade – mas a participação das mães e filhas juntas trouxe um sentido de intimidade e partilha para a experiência que foi inspirador. Vê-las juntas, em suas casas, experimentando dinâmicas de movimento, deu a sensação de um ritual de transformação da quarentena. Um laboratório em tempo real do que se ouve com frequência nas aulas: o corpo tem a potência de modificar o modo como nos relacionamos com os outros e com o ambiente

Um pouco de química em nossos afetos

Gustav Klimt - The Kiss, 1907-1908 - The Österreichische Galerie Belvedere, Vienna, Austria

Hormônio do amor é como muita gente conhece a ocitocina Essa é uma ideia estereotipada, mas de fato a ocitocina está associada a sensações e situações positivas no ser humano – e em várias espécies animais.

Ela é produzida quando estamos em um ambiente agradável, sem ameaças, quando recebemos e oferecemos cuidado e afeto e é uma das químicas importantes para a reprodução , ligada ao prazer na relação sexual Também participa do trabalho de parto e da construção de vínculo entre a mãe e o bebê , principalmente a partir do contato de pele com pele.

downloadA ocitocina tem o efeito de reduzir estresse , intensificar processos de cura , e diminuir ansiedade e medo Sua produção acontece no hipotálamo e na neuro-hipófise, estruturas consideradas primitivas no cérebro dos mamíferos , e ela atua no corpo pela integração de nervos com o sistema parassimpático, e por meio de seu papel de neurotransmissor, um mensageiro que dá sinal para a ativação de diferentes funções do corpo.

Banksy_10Atividades que estimulam a produção de ocitocina vão desde tarefas manuais, como costurar, cozinhar, e fazer jardinagem, até passear em um lugar de natureza, meditar, fazer e receber massagem, tomar um banhoquente e interagir com toque, de modo geral. Fica a dica para o Dia dos Namorados.

Imagens: Gustav Klimt, Andrew Nichols e Banksy