Planejar, prototipar, integrar

Definir os caminhos de um projeto ou de uma organização a médio e longo prazo demanda integração de equipe e conexão das pessoas com propósitos e visões. Fácil de escrever, nem tão fácil de aplicar na prática. Do mesmo modo, materializar ideias em um projeto pode ser uma tarefa árdua, daí a relevância de criar protótipos. A chamada “cultura maker” propõe a experimentação com materiais e testes para projetos e produtos. Mas alguns desafios demandam um mergulho com mais corpo e alma.

É aí que ConeCsoma sugere uma via adicional, que é de trazer o apoio do corpo para planejar rumos e para prototipar projetos. Algo que dialoga com iniciativas contemporâneas como do movimento iniciado no MIT, chamado Dance Your PhD, que traz a potência do corpo e da dança para apresentar assuntos complexos de teses e pesquisas.

Veja abaixo como é o trabalho que propomos.

… na integração e motivação de equipes – o exemplo do Itaú

20190220_dc_igrp_02_nmtnO que fazer quando surge aquele novo projeto e é preciso uma dose a mais de inspiração, diálogo e confiança entre os membros de uma equipe? Como criar um ambiente fértil de troca, independente de obstáculos adiante ou limites da cultura organizacional? Esses são dilemas comuns no trabalho em organizações. Para lidar com ele, criamos dinâmicas desenhadas para cada contexto e desafio, levando em conta o perfil dos profissionais e as expectativas para o futuro próximo. Um exemplo recente foram experiências criadas para duas equipes do Itaú. Uma passaria a se envolver com um projeto novo e ousado, calcado em princípios da sustentabilidade. A outra já atuava junto e demandava reforço dos laços e novos impulsos criativos. Para evocar sentido e foco, colaboração, confiança e autenticidade, desenvolvemos dinâmicas de consciência corporal, exploração de movimento, improvisação e partilha de insights a partir da experiência.

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… no Mestrado Profissional em Sustentabilidade FGV-EAESP

Imagine esta situação: profissionais com anos de experiência em diferentes áreas de gestão de repente se encontram para colaborar na construção de um projeto comum, voltado a lidar com um desafio da sustentabilidade. Tudo isso, buscando modos de fazer fora do cardápio trivial de empresas e da academia.

PicsArt_03-21-03.42.18De certo, será necessária uma boa dose de abertura e criatividade. O corpo surge assim como recurso inovador no curso de Mestrado concebido pelo GVces. Na fase de concepção dos projetos, é promovido um encontro em que, a partir de diretrizes de movimento comuns, os diferentes grupos coreografam performances curtas refletindo questões relevantes de seus desafios para apresentar aos demais. O exercício ajuda a rever entendimentos, limpar excessos e identificar rumos da pesquisa. Além, é claro, de integrar os alunos na cumplicidade da criação corporal, da diversão e do campo acolhedor que é criado para cada mini-coreografia ser apresentada.

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… na Formação Integrada para Sustentabilidade (FGV-SP)

A cada semestre, o FIS, como é conhecida essa disciplina de graduação da FGV-SP, dedica-se a um projeto referência, ou seja, um desafio real para o qual os alunos têm de levantar conhecimento, refletir e propor soluções. Tudo isso dialogando com princípios de transdisciplinariedade, da complexidade e da Teoria U. Lidar com a razão sensível e com experiências inusitadas faz parte do processo.

fis14_playerÉ aí que a lente do corpo, que atravessa o curso como um todo, surge também com um papel de materializar (corporalizar) conceitos e elementos que compõe o contexto e a solução de cada projeto. No FIS 9, por exemplo, dinâmicas corporais sensibilizaram a turma para mecanismos que estão por trás de um jogo – uma ligação direta com a entrega do semestre que foi um jogo de tabuleiro. No FIS 11, o corpo e o movimento foram a base para construir coreografias em grupos vislumbrando desafios dos modelos de educação mais tradicionais. No FIS 13, dinâmicas de corpo deram apoio para que cada aluno pudesse se colocar na situação de outro gênero, que não o seu. No FIS 14 o corpo virou a própria matéria de prototipação, para revelar dinâmicas da prototipação em si e das relações de diálogo, confiança e cuidado entre o grupo e cada um. E no FIS 15 o corpo foi base para um primeiro esboço de como seria apresentar o desafio da sustentabilidade na moda por meio de uma experiência interativa.

… em planejamento organizacional – o exemplo da ÉNóis

20171215_143830Uma iniciativa que forma jovens jornalistas da periferia e gera conteúdo a partir de perspectivas incomuns na mídia brasileira. Esse é o foco da Énóis, que de tempos em tempos olha para dentro e adiante para traçar e ajustar rumos. O ConeCsoma contribuiu com um desses movimentos, que envolveu três dias de formação integrada para a equipe da Énois, no Lab-C, com dinâmicas de corpo, referências da transdisciplinaridade e da razão formal. Imersão concebida por Vicente Lourenço de Góes, com parceria de Ricardo Barretto, mentor do ConeCsoma.

… e nos primórdios do ConeCsoma – planejamentos GVces

Dinâmicas corporais para o planejamento organizacional estão na origem do ConeCsoma. Quando o projeto estava apenas na fase de concepção, atividades que traziam o corpo para contribuir com processos de planejamento foram desenvolvidas por Ricardo Barretto em assembleias do GVces e do Observatório do Clima.

A concepção de cada atividade esteve sempre ligada às demandas de cada encontro. Por exemplo, criar dinâmicas de construção de performances em grupos para promover conexão de equipe. Sensibilizar as pessoas para a perspectiva integrada e de longo prazo de um planejamento, a partir de imagens, conceitos e toques da reflexologia. Criar momentos de sensibilização e respiro para potencializar diálogos e a inteligência do coletivo.