Pensar o corpo como arquitetura é contemplar sua natureza

Arquitetura significa arte de edificar. Em relação ao corpo indica nossa condição de obra da natureza. Basta pensar arquitetura como organização de espaços e criação de ambientes com atividades diversas. Desde a formação do feto são a posição, o movimento e a troca entre as células que definirão suas funções, as estruturas que formarão, as dinâmicas dos sistemas que irão compor. Está aí também a arquitetura corporal como conjunto de elementos do todo e de disposição das partes. (Clique nas fotos para multimídia sobre o tema e nos pontos verdes para ler todo o post)

Se pensamos nas dinâmicas, fluxos e integrações dos sistemas corporais, podemos reconhecer o corpo como uma arquitetura no sentido do conjunto de princípios, normas e materiais. Tudo isso com um resultado plástico, que vem das espirais, superfícies, recheios, texturas e contornos do corpo. Com a diferença de que nosso corpo é uma arquitetura em constante movimento e transformação, não algo estático, fadado à ação do tempo. E é uma arquitetura que dialoga com o ambiente e com outros corpos, fazendo da interação um elemento definidor de sua essência.

Apreciar o corpo enquanto uma arquitetura permite refletir sobre sua autoria. Sem entrar em teologia, do ponto de vista científico estamos falando de projetos colaborativos. O corpo como arquitetura não teria um único criador, mas uma ação integrada entre células, DNA, nutrientes, acontecimentos e trocas na gestação, microrganismos, interação com os ambientes e os outros seres que entrarão em contato com o universo corporal de cada um ao longo da vida. Somos arquitetos de nós mesmos, ao mesmo tempo em que temos um controle limitado sobre a obra corpo.

Explorar o corpo como uma arquitetura nos leva além das correlações entre o físico e o fisiológico e a ideia da vida que constrói a si mesma. Se emprestamos o sentido de arquitetura enquanto a elaboração de um empreendimento futuro, um projeto, podemos nos conectar com a ideia do corpo como algo em constante devir. O corpo nunca é uma coisa definida e pronta, mas está sempre em estado de vir a ser. O corpo acontece, é processo e mudança. Daí o movimento ser algo vital para nossa existência. O corpo estático, definha. O corpo que move como a vida que o gera, frutifica.

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As células, como as bactérias, são mais hi-tech que sistemas digitais

Já se pegou com a sensação de que dispositivos da tecnologia digital são misteriosos e indecifráveis? E com a ideia de que seres unicelulares como bactérias – ou mesmo as células do nosso corpo – têm um funcionamento simples, primário, quase desprezível? Pois dizem por aí que células e bactérias formam um sistema “imensuravelmente mais complexo do que qualquer coisa artificial”, envolvendo subsistemas e arquiteturas que utilizam milhares de proteínas, cujas ações são orquestradas de modo ainda inexplicável. Duvida? Dá uma olhada nessas referências que separamos.

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