Restrições e estímulos ao corpo pelo online

Chegamos a 3 meses de atividades online. Como tem sido? Certamente são bem diferentes do encontro presencial que permite sentir o grupo em cada experiência ou a pessoa em cada atendimento. O 2D das telas deixa de lado a interação e a convocação dos sentidos todos do corpo. Também não é possível tocar para orientar melhor as investigações de consciência corporal e movimento. Sem falar nas saudades de mover livremente em um ambiente 3D, aguçando a percepção do espaço, sem as distrações da tela.

Mas o online traz surpresas que as rotinas, tempos e hábitos da cidade às vezes não permitem. É o que dizem os depoimentos de pessoas que descobriram novas sensações e se permitiram algumas ousadias na dança por estarem no acolhimento de casa, sem o acanhamento que o olhar do outro pode trazer. Também as possibilidades de romper com a apatia da quarentena, descobrindo novos modos de interagir com o lugar que se habita e de reconhecer a si mesmo. Ou ainda perceber a planificação das telas é desafiada quando engajamos as diferentes camadas do corpo, das mais físicas às mais subjetivas e transcendentais.

Continuamos esperando pela volta do presencial. Mas inspirados pela potência que atravessa o online. Junte-se a nós: conecsoma.com.br (link na bio) ou mande mensagem.

Edição 20 do FIS aborda as ONGs socioambientais

A cada ano acontecem duas edições da Formação Integrada para a Sustentabilidade. Uma disciplina eletiva da graduação da FGV em São Paulo que tem uma metodologia bastante ousada e inovadora, baseada na Teoria U, de Otto Scharmer (MIT), e na Transdisciplinaridade. A ideia é promover uma investigação em torno de um termo real da sustentabilidade, em que os alunos explorem simultaneamente experiências de autoconhecimento. Para tanto, são trazidas várias perspectivas de conhecimento, incluindo o corpo, além de contato com especialistas, realidade de campo e experiências de caráter transdisciplinar.

Ricardo Barretto, mentor do ConeCsoma, acompanha o curso desde a primeira edição, mas foi a partir do FIS 11 que passou a trazer seu olhar de educação somática e sustentabilidade para agregar novas perspectivas ao processo formativo. A atual edição marca dez anos dessa história. O desafio do FIS 20 para esse primeiro semestre de 2020 é: Produzir uma websérie que apresente a história e o papel das ONGs socioambientalistas para o desenvolvimento sustentável no Brasil.

Este Projeto Referência envolve:

  • Pesquisar diversas linguagens e formatos para webséries.
  • Aprender as características e as técnicas para sua produção.
  • Compreender histórica e conceitualmente o que são os movimentos socioambientais promovidos pela sociedade civil organizada.
  • Compreender os tipos de organizações da sociedade civil existentes, suas fontes de financiamento, suas formas de atuação.
  • Mapear os atores envolvidos na discussão sobre o papel das organizações da sociedade civil nas temáticas socioambientais, o que inclui governos, empresas e sociedade.
  • Criar a(s) narrativa(s) que conectam o contexto socioambiental brasileiro com a atuação das ONGs.

O projeto também demanda:

  • Produzir uma websérie que dialogue com os pilares da Transdisciplinaridade, com no mínimo 6 episódios compatível com o formato, conteúdo e comunicabilidade.
  • Montar a estratégia de divulgação e viralização da série.
  • Trazer a voz das pessoas por trás das ONGs e demais atores envolvidos no tema.
  • Pautar os episódios da websérie não só nos depoimentos, mas em referencial teórico e dados científicos.
  • Trazer os conhecimentos e saberes tradicionais, ampliando a percepção do paradigma da realidade.
  • Usar do Belo, da estética, para comunicar uma ética.
  • Colocar legendas em inglês para que a série tenha alcance internacional.
  • Viabilizar financeiramente a produção da websérie e do evento.
  • Lançar a websérie, que será nossa banca avaliadora, dia 28/05 (quinta-feira) às 18h, em evento organizado pelos alunos.

Contexto

“Assim nesse clima quente
No espaço e tempo presente
Meu canto eu lanço, não meço
Minha rima eu arremesso
Pra que nada fique intacto
E tudo sinta o impacto
Da ação de cada canção
Preparem-se irmã, irmão
Que isso é só o começo
É só o começo
É só o começo.”
Lenine

Em 2019, as Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam no Brasil foram colocadas à prova. Foram acusadas de estarem ligadas às queimadas da Amazônia e ao derramamento de óleo no litoral. Houve pedidos para que a população não doasse para elas e também a assinatura de medida provisória dando poder à Secretaria de Governo para “coordenar sua interlocução” com ONGs e movimentos sociais.

Em meio a tantas declarações polêmicas se faz necessário um resgate histórico e factual sobre a atuação das ONGs sobre as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Afinal, se elas surgem, essencialmente, para suprir deficiências do Estado, cumprindo um papel adicional de assistência, proteção de direitos e de sustentação dos interesses públicos, quais as contribuições dessas organizações para a constituição e avanços da agenda da sustentabilidade?

Na última edição da pesquisa “As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil 2016” feito pelo IBGE e lançado esse ano, o Brasil contava com 237 mil ONGs, estando a maior parte delas localizada nas regiões Sudeste (48,3%) e Sul (22,2%). Em seguida aparecem Nordeste (18,8%), Centro-Oeste (6,8%) e Norte (3,9%).

São consideradas ONGs instituições privadas sem fins lucrativos legalmente constituídas que atuam nas mais diversas áreas. A maioria das ONGs no Brasil tem vocação religiosa (35,1%) ou trabalha com cultura e recreação (13,6%). Em seguida estão as que atuam no desenvolvimento e defesa de direitos (12,8%), associações patronais profissionais (12,2%), as de assistência social (10.2%) e apenas nos últimos lugares estão as de educação e pesquisa (6,7%), saúde (2%), meio ambiente e proteção animal (0,7%) e habitação (0,1%).

Em 2018, o governo federal transferiu R$ 6,7 bilhões para ONGs, mas segundo pesquisa do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) realizada com 100 ONGs, destacadas como as melhores do Brasil, a principal fonte de financiamento delas vem de: doação de empresas e indivíduos, venda de produtos e eventos. Recursos internacionais são apenas 9% de suas fontes. Para o Idis, o Brasil ainda não tem uma cultura de filantropia madura como outros países, sendo os principais fatores que contribuem para isso o desconhecimento e a desconfiança.

Assim, o FIS 20 produzirá uma websérie, ou seriado feito para internet, para apresentar o papel das ONGs socioambientalistas no Brasil. As webséries costumam ter produção menos esmerada que as séries de TV, com elenco sem estrelas e exploram o potencial viral da rede.

Traduções entre corpo e natureza no retiro de verão 2020

O primeiro retiro de 2020 aconteceu neste fim de semana, em meio ao sol e chuva de verão na região de Atibaia, em São Paulo. Dessa vez, exploramos como corpo, percepção e conhecimento ajudam a traduzir fenômenos da natureza e das relações humanas. O pano de fundo desse retiro foi a noção de que as dinâmicas que estimulam e garantem a sustentação da vida nem sempre são evidentes ao primeiro contato. Trocas, combinações, reações, segmentações, caos, organização, rupturas, recriações, nascimentos. Desde dimensões microscópicas até os fenômenos cósmicos, o que é vivo está envolto em segredos e códigos próprios. Seja na natureza, no corpo, nas relações humanas, na sociedade. Esses mistérios não são impenetráveis e a todo tempo a vida oferece referências que traduzem essas dinâmicas em expressões que o ser humano é capaz de compreender … se abrir os sentidos e aguçar a percepção.

Assim, para iniciar o ano com a vitalidade do verão, o ConeCsoma se inspirou na ideia de “Traduções” a partir do corpo e para além dele, e sob a facilitação de Ricardo Barretto conduziu experiências por meio de consciência corporal, de interação com o ambiente e de experimentações do mover do corpo no espaço e no tempo. E ainda doses de reflexão, conversa, imagens e contemplação.

Algo inédito dessa vez é que nossa imersão foi só de mulheres, o que ajudou a trazer discussões do feminino para as nossas experiências de consciência corporal e investigação de movimento. A perspectiva do feminino ajudou a explorar como a vida realiza seus gestos de Tradução e estabelecer pontes com o que nos torna parte das dimensões macro e micro do universo. Além de conectar o público participante com o que gera no humano a potência de um criador-intérprete da dança universal que atravessa dos átomos às galáxias.

Ou seja, abrimos novas perspectivas para ser humano.

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