O Corpo para Educadores e Facilitadores – oficina

 

Como aproveitar as potências do corpo na formação de pessoas e facilitação de grupos?
Aprimore-se na oficina que acontece de 28 e 29 de setembro, em São Paulo. Inscrições aqui

 

20190601_201408Educadores, profissionais de RH, facilitadores, coaches e psicólogos demandam modos instigantes de sensibilizar e engajar seu público, gerar e partilhar conhecimento, e de estimular escuta e abertura das pessoas. Existem muitas técnicas e abordagens para alimentar cada uma dessas dimensões, mas há um fator essencial para dar a sintonia fina em todas elas: o corpo.

Seja no aspecto de percepção de si mesmo durante a atuação profissional, seja para orquestrar um grupo, modular tempos e intensidades, apropriar-se da qualidade cênica de experiências, nutrir a capacidade de criação e improviso, e a habilidade de aproveitar repertórios próprios e também as oportunidades que surgem espontaneamente em cada grupo. O universo corporal é o lugar de percepção e expressão primordial de cada um e da relação com o outro. Apropriar-se das suas potências sensoriais e comunicativas, das suas metáforas e da sua condição integrada com o mundo à volta significa abrir-se a mergulhos mais profundos e voos mais abrangentes no trabalho com grupos.

20190601_193326Pensando nisso, Ricardo Barretto, mentor do ConeCsoma, concebeu as Oficinas para Educadores e Facilitadores, reunindo técnicas, aprendizados e modos autênticos de evocar o corpo na atuação com grupos. Trata-se de abordagens desenvolvidas nos últimos anos, a partir de seu trabalho com equipes de empresas, estudantes universitários, e nos cursos e retiros promovidos pelo ConeCsoma. Estas abordagens têm raiz em estudos de comunicação e sustentabilidade, Body-Mind Centering®, técnicas de educação somática, dança contemporânea e experiência em jogos de improvisação.

 

20190603_103455A ideia é conectar educadores e facilitadores às potências que só o universo corporal faz emergir, por sua característica de sistema conectivo, entrelaçado em camadas internas e subjetividades, com habilidade de perceber e dialogar com o ambiente, os outros e aspectos biofísicos e imateriais da vida.

A próxima oficina acontece nos dias 28 e 29 de setembro, em São Paulo, no Espaço ConeCsoma*, e terá como foco:

  • identificação de potências do corpo para o trabalho de cada profissional, valorizando e respeitando o repertório de cada um
  • caminhos de consciência corporal, exploração do movimento e percepção de informações sutis do ambiente
  • abordagem ConeCsoma de sensibilizção e ativação do corpo para acessar a inteligência do coletivo
  • abordagem ConeCsoma de sensibilizção e ativação do corpo para acessar novas possibilidades de criação e refinamento de atividades de curta, média e longa duração, tanto nas etapas de elaboração como de execução
  • laboratório de práticas e estratégias para integrar o corpo a contextos formativos
  • rodas de partilha e aprofundamento
  • materiais e referências de apoio

Inscreva-se aqui

Para mais informações: ricardo@conecsoma.com.br 

*O ConeCsoma fica na R. da Consolação, 2685 – sl 5, a duas quadras das estações Paulista (linha amarela) e Consolação (linha verde) do metrô, em São Paulo.

Sobre Ricardo Barretto

20180802_fis17_encin_din1_rbComunicólogo e educador somático, entende que fluxos informativos vão além das mídias: incluem das menores partículas ao cosmos, passando pelo corpo e as relações que o atravessam. Sua formação segue uma perspectiva integrada, conectando frentes tão diversas como a graduação em Relações Internacionais (PUC-SP) e a formação em dança contemporânea; pós-graduações em Jornalismo Político (PUC-SP), em Redes Digitais e Sustentabilidade (ECA-USP) e Comunicação e Educação (ECA-USP, em andamento). Além da formação como Educador do Movimento Somático pelo Body-Mind Centering®.

Foi nos estudos e atuação em Dança, Educação Somática e Comunicação para Sustentabilidade que se interessou pelas conexões que o corpo estabelece com dimensões extracorporais. Essa tem sido sua estrada de reflexão e trabalho, que deu à luz o projeto ConeCsoma. Um desdobramento de uma parceria de 10 anos com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP, que o aproximou da área de Educação e da facilitação de grupos, por meio das experiências corporais, tanto junto a um público jovem, quanto aos mais maduros. E hoje ganha novos rumos com a reflexão e a atuação prática em uma emergente área de conhecimento nas ciências: a Ecossomática.

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Sobre o ConeCsoma

fis18_fldnkrsIniciativa que encara o corpo como rede viva que se relaciona com o mundo por meio de sensação, movimento e pensamento. Propõe mover e explorar o universo corporal para gerar vigor e sensibilidade. E também descobertas, conhecimento e transformações que vão além do próprio corpo.

O projeto ConeCsoma ajuda a acessar essa potência para indivíduos, grupos e organizações, por meio de conteúdo digital, de um espaço-laboratório com aulas e oficinas, e de atividades para promover desenvolvimento pessoal, inovar a educação, e levar novas perspectivas a atividades que estimulam a inteligência coletiva.

Veja exemplos da nossa atuação em Educação e Impulso para Organizações.

FIS 19 funde clima, agricultura e arte

A 19. edição da Formação Integrada para a Sustentabilidade traz como desafio “produzir uma exposição de arte que revele a urgência de caminhos para adaptação da agricultura brasileira às mudanças climáticas”.

Disciplina eletiva volta aos alunos de graduação da FGV em São Paulo, o FIS, como é conhecido esse curso, propõe a cada semestre um desafio real para que os participantes se aprofundem em um tema relevante da sustentabilidade e, ao mesmo tempo, desenvolvam um processo de autoconhecimento. Para tanto, são usadas referências como a Teoria U, do MIT, e a Transdisciplinariedade.

Ambas perspectivas evocam diferentes áreas de conhecimento e modos de experiência para gerar percepções do tema, do mundo e de si mesmo que vão além dos padrões e modelos mentais já sustentados pelos aprendentes. É nesse contexto que o corpo surge como dimensão relacional e de conhecimento, contando com a contribuição das abordagens de educação somática, dança contemporânea, jogos de improvisação, comunicação e ecossomática propostas pelo ConeCsoma.

Em breve, mais detalhes sobre o FIS 19.

Mobilizar o corpo para modificar paradigmas

Temos ouvido com frequência que o governo cria “cortina de fumaça” e que “desvia o foco do que é mais importante” – leia-se a economia e a reforma da previdência. Mas a insanidade do governo lhe confere uma consistência admirável no projeto que é o mesmo desde a campanha: modificar a trama civilizatória do país.

Neste sentido, nada é mais relevante e fundamental que as iniciativas que afetam as subjetividades, o imaginário, os modos de dialogar, de expressar-se, de nutrir sentimentos e laços, de construir espírito de comunidade. É ingênuo, opaco ou conivente quem acredita que bastará o país “reencontrar o rumo” da economia, se a sociedade estiver em frangalhos.

E reduzir-nos a cacos tem sido o projeto do governo atual, que em alguns meses já colhe seus frutos, como muito bem retratou a Eliane Brum em artigo no EL PAÍS Brasil É o que atestam psicanalistas e o diagnóstico de que pessoas estão “adoecendo de Brasil”. É o que atestam as pequenas censuras de cada cidadão nos seus modos de viver, trabalhar e conversar … ou calar. É o que atesta o estado de impermanência que nos acomete em situações pontuais, mas constantes, como as falas do presidente e medidas oficiais que transbordam desumanidade, distorcem fatos e criam verdades sem lastro … doa a quem doer. Eliane fala da importância da cultura e da educação para enfrentar esse contexto – não à toa elas estão sob ataque intenso.

Concordo plenamente. Mas acredito que há algo mais, que remete a fenômenos menos recentes e mais profundos do Brasil, mas também do mundo Ocidental. Dos mais ricos aos mais pobres, não importa de qual corrente política, somos fruto de um modelo de formação das pessoas que negligencia sua complexidade. A grande maioria dos projetos educacionais são voltados à constituição de profissionais para o mercado de trabalho. Das atividades mais simples, aos grandes pesquisadores e CEOs.

Estamos todos unidos numa perspectiva de ser humano que nos reduz a um agente de produção e a alguns indicadores de sucesso aparente, deixando de lado nossas sensibilidades, nossas singularidades no modo de viver e de conectar com outros; nossos desejos e sonhos que não combinem com os caminhos conhecidos do mercado; nossas pontes com os fenômenos e ciclos da natureza; nossas pequenas loucuras criativas, potências para a arte, capacidades para cultivar experiências que se traduzem sob o nome de espiritualidade.

Uma das raízes dessa cultura ocidental de séculos é a segmentação entre corpo e mente (e alma e natureza). Este dogma permitiu construir a noção de que importante é o que você expressa racionalmente e socialmente. Todo o resto são elementos secundários da vida humana e hierarquicamente inferiores.

Mas eis que quando as pessoas começam a “adoecer de Brasil”, somos confrontados com o entrelaçamento entre todas aquelas camadas que pareciam distintas e separáveis. O que você faz e pensa atravessa o que sente, que atravessa as trivialidades do dia-a-dia, e seu ente social e sua vida privada e sua condição natural e todos os indizíveis que atravessam o estar vivo.

sentinel_by_jack_troloveSe não reconhecemos e degustamos a complexidade que somos, nosso repertório fica limitado para construir empatia, para entender a condição sistêmica do meio ambiente em colapso, para relativizar a política e também para engrandecer a política, e o diálogo, e a importância de sermos uma forma de vida coletiva que é um golpe de sorte no cosmos… E que é mais importante do que ganhar uma discussão e certamente do que banalizar destinos trágicos que acometem os oprimidos, os que são mortos e aqueles em depressão.

Mas séculos de um mantra raso e às vezes macabro – de que ser humano se resume a cérebro e a papéis sociais – não se inverte de uma hora para a outra. E, certamente, não acontece apenas pelo intelecto e pela palavra, que são parte dos domínios que nos trouxeram até aqui.

É preciso nutrir as sensibilidades. Mas não só aquelas que testemunhamos enquanto expectadores de uma obra de arte instigante. É preciso corpo! Não o das academias, que é fruto daquela mesma lógica superficial. Corpo em camadas, entrelaçado às relações, ao ambiente, às transcendências. Corpo que vai para a rua, mas também o corpo que gera conhecimento de si e do todo, porque revela as dimensões micro e macro da vida em suas dinâmicas internas e modos de conectar-se e traduzir o que está à volta. Corpo que muda perspectivas quando abre a sensorialidade e percebe dentro e fora pela experiência, pelo encantamento e não só pelo discurso. Corpo que acolhe ao descobrir suas consistências, mesmo quando o mundo à volta desmorona. E, por essa potência, é capaz de transformar.

Abrir-se ao corpo complexo, nossa condição onipresente no mundo, é refutar os limites que nos engessam e nos oprimem neste momento histórico. E recusar quando a sensação de horror convida à paralisia! Os caminhos para isso existem, mas certamente há que se farejar, pois se esgueiram pelas brechas, entre tantos padrões. Tenho buscado com o ConeCsoma trazer uma contribuição.

Mobilizar o corpo integrado é modificar paradigmas.

Imagem: “Sentinel”, por Jack Trolove