Edição 20 do FIS aborda as ONGs socioambientais

A cada ano acontecem duas edições da Formação Integrada para a Sustentabilidade. Uma disciplina eletiva da graduação da FGV em São Paulo que tem uma metodologia bastante ousada e inovadora, baseada na Teoria U, de Otto Scharmer (MIT), e na Transdisciplinaridade. A ideia é promover uma investigação em torno de um termo real da sustentabilidade, em que os alunos explorem simultaneamente experiências de autoconhecimento. Para tanto, são trazidas várias perspectivas de conhecimento, incluindo o corpo, além de contato com especialistas, realidade de campo e experiências de caráter transdisciplinar.

Ricardo Barretto, mentor do ConeCsoma, acompanha o curso desde a primeira edição, mas foi a partir do FIS 11 que passou a trazer seu olhar de educação somática e sustentabilidade para agregar novas perspectivas ao processo formativo. A atual edição marca dez anos dessa história. O desafio do FIS 20 para esse primeiro semestre de 2020 é: Produzir uma websérie que apresente a história e o papel das ONGs socioambientalistas para o desenvolvimento sustentável no Brasil.

Este Projeto Referência envolve:

  • Pesquisar diversas linguagens e formatos para webséries.
  • Aprender as características e as técnicas para sua produção.
  • Compreender histórica e conceitualmente o que são os movimentos socioambientais promovidos pela sociedade civil organizada.
  • Compreender os tipos de organizações da sociedade civil existentes, suas fontes de financiamento, suas formas de atuação.
  • Mapear os atores envolvidos na discussão sobre o papel das organizações da sociedade civil nas temáticas socioambientais, o que inclui governos, empresas e sociedade.
  • Criar a(s) narrativa(s) que conectam o contexto socioambiental brasileiro com a atuação das ONGs.

O projeto também demanda:

  • Produzir uma websérie que dialogue com os pilares da Transdisciplinaridade, com no mínimo 6 episódios compatível com o formato, conteúdo e comunicabilidade.
  • Montar a estratégia de divulgação e viralização da série.
  • Trazer a voz das pessoas por trás das ONGs e demais atores envolvidos no tema.
  • Pautar os episódios da websérie não só nos depoimentos, mas em referencial teórico e dados científicos.
  • Trazer os conhecimentos e saberes tradicionais, ampliando a percepção do paradigma da realidade.
  • Usar do Belo, da estética, para comunicar uma ética.
  • Colocar legendas em inglês para que a série tenha alcance internacional.
  • Viabilizar financeiramente a produção da websérie e do evento.
  • Lançar a websérie, que será nossa banca avaliadora, dia 28/05 (quinta-feira) às 18h, em evento organizado pelos alunos.

Contexto

“Assim nesse clima quente
No espaço e tempo presente
Meu canto eu lanço, não meço
Minha rima eu arremesso
Pra que nada fique intacto
E tudo sinta o impacto
Da ação de cada canção
Preparem-se irmã, irmão
Que isso é só o começo
É só o começo
É só o começo.”
Lenine

Em 2019, as Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam no Brasil foram colocadas à prova. Foram acusadas de estarem ligadas às queimadas da Amazônia e ao derramamento de óleo no litoral. Houve pedidos para que a população não doasse para elas e também a assinatura de medida provisória dando poder à Secretaria de Governo para “coordenar sua interlocução” com ONGs e movimentos sociais.

Em meio a tantas declarações polêmicas se faz necessário um resgate histórico e factual sobre a atuação das ONGs sobre as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Afinal, se elas surgem, essencialmente, para suprir deficiências do Estado, cumprindo um papel adicional de assistência, proteção de direitos e de sustentação dos interesses públicos, quais as contribuições dessas organizações para a constituição e avanços da agenda da sustentabilidade?

Na última edição da pesquisa “As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil 2016” feito pelo IBGE e lançado esse ano, o Brasil contava com 237 mil ONGs, estando a maior parte delas localizada nas regiões Sudeste (48,3%) e Sul (22,2%). Em seguida aparecem Nordeste (18,8%), Centro-Oeste (6,8%) e Norte (3,9%).

São consideradas ONGs instituições privadas sem fins lucrativos legalmente constituídas que atuam nas mais diversas áreas. A maioria das ONGs no Brasil tem vocação religiosa (35,1%) ou trabalha com cultura e recreação (13,6%). Em seguida estão as que atuam no desenvolvimento e defesa de direitos (12,8%), associações patronais profissionais (12,2%), as de assistência social (10.2%) e apenas nos últimos lugares estão as de educação e pesquisa (6,7%), saúde (2%), meio ambiente e proteção animal (0,7%) e habitação (0,1%).

Em 2018, o governo federal transferiu R$ 6,7 bilhões para ONGs, mas segundo pesquisa do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) realizada com 100 ONGs, destacadas como as melhores do Brasil, a principal fonte de financiamento delas vem de: doação de empresas e indivíduos, venda de produtos e eventos. Recursos internacionais são apenas 9% de suas fontes. Para o Idis, o Brasil ainda não tem uma cultura de filantropia madura como outros países, sendo os principais fatores que contribuem para isso o desconhecimento e a desconfiança.

Assim, o FIS 20 produzirá uma websérie, ou seriado feito para internet, para apresentar o papel das ONGs socioambientalistas no Brasil. As webséries costumam ter produção menos esmerada que as séries de TV, com elenco sem estrelas e exploram o potencial viral da rede.

FIS 19 funde clima, agricultura e arte

A 19. edição da Formação Integrada para a Sustentabilidade traz como desafio “produzir uma exposição de arte que revele a urgência de caminhos para adaptação da agricultura brasileira às mudanças climáticas”.

Disciplina eletiva volta aos alunos de graduação da FGV em São Paulo, o FIS, como é conhecido esse curso, propõe a cada semestre um desafio real para que os participantes se aprofundem em um tema relevante da sustentabilidade e, ao mesmo tempo, desenvolvam um processo de autoconhecimento. Para tanto, são usadas referências como a Teoria U, do MIT, e a Transdisciplinariedade.

Ambas perspectivas evocam diferentes áreas de conhecimento e modos de experiência para gerar percepções do tema, do mundo e de si mesmo que vão além dos padrões e modelos mentais já sustentados pelos aprendentes. É nesse contexto que o corpo surge como dimensão relacional e de conhecimento, contando com a contribuição das abordagens de educação somática, dança contemporânea, jogos de improvisação, comunicação e ecossomática propostas pelo ConeCsoma.

Em breve, mais detalhes sobre o FIS 19.

Pitada de consciência corporal para estimular conexões no FIS 18

O evento de lançamento público do desafio semestral na Formação Integrada para Sustentabilidade é sempre um marco na processo de aprendizagem dos alunos. No FIS 18 não foi diferente e o kick off, como é conhecido, foi catalizador de muitas descobertas do grupo, bem como de qualidades e limites de cada um.

Para potencializar a primeira aula depois do evento, dedicada a uma apreciação coletiva sobre essa etapa do processo, Ricardo Barretto trouxe uma dinâmica de sensibilização para aquietar ansiedades, abrir a escuta e estimular as conexões no grupo. A roda de conversa que veio na sequência não poderia ter sido mais potente!

A troca e o autoposicionamento dos alunos criou o campo perfeito para, na aula seguinte, introduzir-se uma das ferramentas mais poderosas do FIS, que é a mandala transdisciplinar. Um mosaico de nove quadrantes que se interconectam e que entrelaçam dimensões físicas, relacionais e individuais a perspectivas do interior, de transformação, e do exterior.

Para preparar a turma para a mandala, Ricardo Barretto trouxe, dessa vez, uma dinâmica inspirada em princípios de Feldenkrais, a partir dos quais movimentos aparentemente simples ajudam a mexer com padrões do sistema nervoso e a ampliar a percepção de si mesmo.