Nova turma da Formação Integrada para a Sustentabilidade na FGV

Esquecidos, negligenciados, esconfidos ou imaginados, os rios de #SaoPaulo continuam existindo apesar da relação conturbada com os habitantes da #cidade ao longo da #história E o que revela essa relação entre as #pessoas e os #rios paulistanos sobre a #humanidade do século 21? Esta é a pergunta que move a nova edição do @fis_fgv que teve início esta semana. Em breve, mais atualizações sobre nosso percurso formativo. https://www.instagram.com/p/CSOwo0mnkC4/?utm_medium=share_sheet

Nova turma do FIS tem como desafio a resiliência às mudanças climáticas na cidade

Toda cidade representa uma modificação do espaço e das condições ambientais que nele se expressam, como provoca a obra de Jacob Eisinger (imagem de capa). Nos dias de hoje, essas alterações locais vêm acrescidas dos efeitos das mudanças climáticas globais, o que impõe um desafio de como as cidades se preparam para essa nova realidade e como as pessoas em suas diferentes condições socioeconômicas são incluídas neste processo.

Esse é o contexto do desafio que a nova turma da Formação Integrada para a Sustentabilidade (FIS), da FGV-SP, recebeu hoje: “Criar uma experiência visual que nos leve a imaginar cenários da evolução da resiliência climática da cidade de São Paulo nos próximos 30 anos “. Para lidar com esse desafio vamos fundir conhecimento formal e experiências para nutrir o processo formativo de caráter transdisciplinar, evocando diferentes camadas de sentido e incluindo a subjetividade nessa jornada.

Em breve, mais notícias dessa parceria do ConeCsoma com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV/EAESP.

As imagens de sampa aqui vieram do Instagram @olharesdesampa , que fez a curadoria dos seguintes fotógrafos (de baixo para cima, da direita para a esquerda): @fernandopatto @rrodegher @offlimitsbr @magali_maschi @paraisopolis.foto @hirahata_photos @alexgarciapz @bragadrone

Edição 20 do FIS aborda as ONGs socioambientais

A cada ano acontecem duas edições da Formação Integrada para a Sustentabilidade. Uma disciplina eletiva da graduação da FGV em São Paulo que tem uma metodologia bastante ousada e inovadora, baseada na Teoria U, de Otto Scharmer (MIT), e na Transdisciplinaridade. A ideia é promover uma investigação em torno de um termo real da sustentabilidade, em que os alunos explorem simultaneamente experiências de autoconhecimento. Para tanto, são trazidas várias perspectivas de conhecimento, incluindo o corpo, além de contato com especialistas, realidade de campo e experiências de caráter transdisciplinar.

Ricardo Barretto, mentor do ConeCsoma, acompanha o curso desde a primeira edição, mas foi a partir do FIS 11 que passou a trazer seu olhar de educação somática e sustentabilidade para agregar novas perspectivas ao processo formativo. A atual edição marca dez anos dessa história. O desafio do FIS 20 para esse primeiro semestre de 2020 é: Produzir uma websérie que apresente a história e o papel das ONGs socioambientalistas para o desenvolvimento sustentável no Brasil.

Este Projeto Referência envolve:

  • Pesquisar diversas linguagens e formatos para webséries.
  • Aprender as características e as técnicas para sua produção.
  • Compreender histórica e conceitualmente o que são os movimentos socioambientais promovidos pela sociedade civil organizada.
  • Compreender os tipos de organizações da sociedade civil existentes, suas fontes de financiamento, suas formas de atuação.
  • Mapear os atores envolvidos na discussão sobre o papel das organizações da sociedade civil nas temáticas socioambientais, o que inclui governos, empresas e sociedade.
  • Criar a(s) narrativa(s) que conectam o contexto socioambiental brasileiro com a atuação das ONGs.

O projeto também demanda:

  • Produzir uma websérie que dialogue com os pilares da Transdisciplinaridade, com no mínimo 6 episódios compatível com o formato, conteúdo e comunicabilidade.
  • Montar a estratégia de divulgação e viralização da série.
  • Trazer a voz das pessoas por trás das ONGs e demais atores envolvidos no tema.
  • Pautar os episódios da websérie não só nos depoimentos, mas em referencial teórico e dados científicos.
  • Trazer os conhecimentos e saberes tradicionais, ampliando a percepção do paradigma da realidade.
  • Usar do Belo, da estética, para comunicar uma ética.
  • Colocar legendas em inglês para que a série tenha alcance internacional.
  • Viabilizar financeiramente a produção da websérie e do evento.
  • Lançar a websérie, que será nossa banca avaliadora, dia 28/05 (quinta-feira) às 18h, em evento organizado pelos alunos.

Contexto

“Assim nesse clima quente
No espaço e tempo presente
Meu canto eu lanço, não meço
Minha rima eu arremesso
Pra que nada fique intacto
E tudo sinta o impacto
Da ação de cada canção
Preparem-se irmã, irmão
Que isso é só o começo
É só o começo
É só o começo.”
Lenine

Em 2019, as Organizações Não Governamentais (ONGs) que atuam no Brasil foram colocadas à prova. Foram acusadas de estarem ligadas às queimadas da Amazônia e ao derramamento de óleo no litoral. Houve pedidos para que a população não doasse para elas e também a assinatura de medida provisória dando poder à Secretaria de Governo para “coordenar sua interlocução” com ONGs e movimentos sociais.

Em meio a tantas declarações polêmicas se faz necessário um resgate histórico e factual sobre a atuação das ONGs sobre as questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável. Afinal, se elas surgem, essencialmente, para suprir deficiências do Estado, cumprindo um papel adicional de assistência, proteção de direitos e de sustentação dos interesses públicos, quais as contribuições dessas organizações para a constituição e avanços da agenda da sustentabilidade?

Na última edição da pesquisa “As Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos no Brasil 2016” feito pelo IBGE e lançado esse ano, o Brasil contava com 237 mil ONGs, estando a maior parte delas localizada nas regiões Sudeste (48,3%) e Sul (22,2%). Em seguida aparecem Nordeste (18,8%), Centro-Oeste (6,8%) e Norte (3,9%).

São consideradas ONGs instituições privadas sem fins lucrativos legalmente constituídas que atuam nas mais diversas áreas. A maioria das ONGs no Brasil tem vocação religiosa (35,1%) ou trabalha com cultura e recreação (13,6%). Em seguida estão as que atuam no desenvolvimento e defesa de direitos (12,8%), associações patronais profissionais (12,2%), as de assistência social (10.2%) e apenas nos últimos lugares estão as de educação e pesquisa (6,7%), saúde (2%), meio ambiente e proteção animal (0,7%) e habitação (0,1%).

Em 2018, o governo federal transferiu R$ 6,7 bilhões para ONGs, mas segundo pesquisa do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (Idis) realizada com 100 ONGs, destacadas como as melhores do Brasil, a principal fonte de financiamento delas vem de: doação de empresas e indivíduos, venda de produtos e eventos. Recursos internacionais são apenas 9% de suas fontes. Para o Idis, o Brasil ainda não tem uma cultura de filantropia madura como outros países, sendo os principais fatores que contribuem para isso o desconhecimento e a desconfiança.

Assim, o FIS 20 produzirá uma websérie, ou seriado feito para internet, para apresentar o papel das ONGs socioambientalistas no Brasil. As webséries costumam ter produção menos esmerada que as séries de TV, com elenco sem estrelas e exploram o potencial viral da rede.