Imersão de Corpo e Movimento na Natureza – Inverno 2021

Com cautela, protocolos de segurança e inspirações para o segundo semestre, retomamos nossos retiros em pleno inverno, com o tema Reconfigurações, de 30 de julho a 1 de agosto. Veja detalhes abaixo. Inscrições aqui

Para construir sentidos dos fenômenos da vida e abrir horizontes ao que está por vir é importante observar como corpo e natureza produzem reconfigurações de estruturas físicas, fluxos de troca e ciclos que sustentam os sistemas abertos em sua vitalidade. A palavra Reconfigurações indica não só impulsos de reorganização mas também dinâmicas de interação entre elementos vivos, que geram desdobramentos em rede, envolvendo ser humano, sociedade e natureza.

Para investigar essas diferentes perspectivas e descobrir modos possíveis e seguros de estar novamente em um coletivo, o ConeCsoma convida você para uma imersão na natureza, de 30 de julho a 1 de agosto, em que iremos explorar “Reconfigurações” a partir do corpo e para além dele. Faremos isso por meio de consciência corporal, de interação com o ambiente e de experimentações do mover por fora e por dentro, em singularidades e conectividades. E ainda doses de reflexão, conversa, imagens e contemplação. Inscrições aqui

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Explorar como a vida se reorganiza a todo tempo, das dimensões mais microscópicas até os grandes movimentos do cosmos, é estabelecer uma ponte com o que nos torna parte e expressão do universo. E também nos conecta com o que gera no humano sua enorme potência de adaptação e aspectos de sua criatividade e construção de relações entre pessoas e o ambiente que habitam.

PERCURSO

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Nesse retiro de inverno viajaremos para uma região de Mata Atlântica a cerca de 1h30 de São Paulo. Ali iremos dialogar com diferentes modos de reconhecer, vivenciar e expressar a ideia de Reconfigurações. E investigaremos novos modos de mover, encontrando potências e o prazer de perceber, reorganizar e acolher nossos movimentos e qualidades de presença no espaço.

Tudo isso, sob a perspectiva ecossomática de Ricardo Barretto, a partir de princípios do Body-Mind Centering® e de educação somática, além de princípios da sustentabilidade e das ciências da comunicação. Sempre respeitando e valorizando as singularidades de cada um e as relações com os outros e o ambiente. E, claro, adotando protocolos de segurança para respeitar as restrições que a pandemia ainda nos impõe.

As experiências dessa imersão envolverão:.

> dinâmicas de consciência corporal e exploração do movimento para reconhecer perspectivas de Reconfigurações na estrutura, no movimento e nos fluxos do corpo e da natureza, desenvolvendo modos singulares de mover e interagir

> contemplação de manifestações de Reconfigurações nas estruturas e fenômenos da paisagem, aproveitando o ambiente como lugar de aprendizado e inspiração

> criação de repertório de movimento a partir da exploração de referências de Reconfigurações, gerando e apropriando-se de novos modos de mover e estar

> interação por meio de jogos de improviso e dinâmicas de movimento, estimulando a potência das relações vivas

> compartilhamento de percepções e descobertas a partir do que vivemos, e conversas sobre aspectos da sociedade e da ecologia a partir de noções da trajetória e dos tempos da vida humana no planeta e dos insights de cada participante

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As práticas têm início no sábado, 31/7, às 9h, mas encorajamos que todos e todas viagem na sexta-feira, 30/07, para integração de grupo à noite e para uma introdução experiencial à imersão do fim de semana.

*Ajudaremos a organizar caronas

*Estaremos hospedados na mesma casa e as refeições estão inclusas no pacote

Investimento: R$ 570,00 (pode parcelar)
15 vagas > daremos preferência a quem confirmar com antecedência
Reservas, Inscrições ou Dúvidas aqui

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FACILITAÇÃO: RICARDO BARRETTO

Comunicólogo e educador somático, Ricardo é o mentor do projeto ConeCsoma que promove conexões a partir do corpo e para além dele. Atua há 20 anos em comunicação para sustentabilidade e como movedor, em contextos artísticos e educacionais. Seu trabalho corporal bebe em três fontes: o entendimento da Comunicação como toda dinâmica de fluxos e trocas; o estudo de dança contemporânea e abordagens somáticas como o Body-Mind Centering®; e as noções de interdependência e visão integrada que caracterizam o pensamento original da sustentabilidade.

A fusão e aprofundamento da pesquisa desses saberes integrados teve início em 2008, com sua atuação profissional no Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV-EAESP, e por meio de pós-graduações em Redes Digitais e Sustentabilidade (ECA-USP), Educação Transformadora (PUC-RS), da formação em BMC®, da atuação como facilitador e educador somático e da participação no Núcleo de Formação Integrada do FGVces.

SOBRE AS IMERSÕES DE CORPO E MOVIMENTO NA NATUREZA

Iniciativa que surge em 2017 como desdobramento das Experiências de Corpo e Movimento, que Ricardo Barretto oferece semanalmente no Espaço ConeCsoma. A ideia é aprofundar a proposta de educação para o movimento e de conexões a partir do corpo. Daí, um mergulho na natureza, com mais tempo e inspiração para perceber e explorar os fluxos informativos que atravessam o corpo e o conectam ao ambiente, à sociedade e às nossas relações. Sempre de modo estimulante e com respiro para digerir os aprendizados que surgem, curtir a natureza e criar laços entre as pessoas. Atualmente, realizamos uma Imersão de Corpo e Movimento na Natureza a cada três meses.

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Manifestação de corpo presente e de corpo futuro

Estar junto de corpo presente é lembrar que somos um povo para além dos mapas e infográficos sobre a pandemia na TV. É ser atravessado por um desejo de mobilizar a reapropriação e a reconstrução coletiva de um país, desde sua política e seu tecido social até os símbolos constrangidos, como a bandeira nacional

Coluna de Ricardo Barretto para a Revista Página22

Início da tarde de sábado, 29 de maio. Uma chuva forte e rápida cai de repente em São Paulo, com gotas grossas, ventania e muita agitação das copas de árvores. Em menos de meia hora, o ar seco da estiagem na cidade se tornou úmido e respirável e as ruas foram ganhando o brilho dos raios de sol que surgiram em seguida. Como se o ambiente fizesse um convite para sair de casa. Havia um encontro marcado, mas uma dúvida sobre sua pertinência. Não só em São Paulo, mas por todo o País, um chamado iniciado por movimentos sociais e partidos políticos conclamava as pessoas a ocuparem o espaço público e mostrarem a indignação coletiva contra os descaminhos do governo que multiplicaram as mortes na pandemia da Covid-19, que retardaram o processo de vacinação no País, que aprofundaram as dificuldades econômicas do período e que intensificaram a atmosfera de ecocídio deflagrada há mais de dois anos no Brasil.

A dúvida que pairava no ar era se a indignação justificada poderia gerar uma ampliação do contágio – um dos elementos contra o qual o evento foi organizado – uma vez que as ruas fossem tomadas por uma aglomeração de corpos em protesto.

Essa pergunta silenciosa na mente de cada pessoa, se revelava na paisagem vista de cima. No ponto de encontro em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), uma referência de cultura e ajuntamentos populares na cidade, havia um adensamento dos participantes e da cor vermelha.

Para além daquele miolo, o que se via era um espalhamento da manifestação, com agrupamentos entre conhecidos e espaço de circulação e respiro conectando essa coletividade que ia chegando aos poucos e continuamente, tateando e encontrando seu lugar. E todos, todos, de máscara, muitas pessoas com camada dupla, feita com o equipamento distribuído gratuitamente no evento.

Separados para combater o vírus, juntos para combater o verme. Essa frase em um dos cartazes dava o tom da manifestação, que tinha um propósito político, um sentimento de basta e um espírito de cuidado mútuo.

Para quem vinha de um regime de distanciamento social há cerca de 15 meses, a sensação de circular de novo na rua, junto de milhares de pessoas, causava num primeiro momento um certo frio na barriga. Um impulso de atenção e reconhecimento de como os outros corpos se apresentavam e se comportavam. Conforme a atmosfera de cuidado partilhado se revelava, as emoções começavam a aflorar.

Estar junto de corpo presente é lembrar que somos um povo para além dos mapas e infográficos sobre a pandemia na TV. É ser atravessado por um desejo de mobilizar a reapropriação e a reconstrução coletiva de um país, desde sua política e seu tecido social até os símbolos constrangidos, como a bandeira nacional. É deixar-se contagiar pelos gritos, as palmas, os batuques, as palavras de ordem, os cantos de contestação. É reencontrar uma potência de humanidade depauperada ao longo de meses, no intuito claro de que ela parecesse tão à míngua que não tivesse mais força de levantar, nem para um último suspiro.

Fotos: Ricardo Barretto

O sábado, 29 de maio de 2021, foi histórico. Foi um reencontro com uma coragem necessária e uma brasilidade vital, que vai muito além do verde e amarelo. Quem estava ali sabia que estava de fato representando quem não pôde ir ou teve receio de se reunir. Ao contrário das Jornadas de 2013, marcadas por pautas difusas, havia no encontro um sentido de bem comum, nos modos de estar presente e no foco que norteava a multidão.

A partir do eixo central que pedia vacinação, fim do genocídio e um basta no governo, despontavam aqui e ali ramificações complementares, como atenção à saúde e educação, a reversão das políticas contra a vida em todas as suas formas, o respeito ativo aos grupos mais vulneráveis à pandemia.

Uma expiração forte do presente doído e uma inspiração profunda e cheia de esperança e vigor em direção ao porvir. Esta sincronia não poderia emergir de uma massa. O que pulsava ali era uma congregação em nome de resgatar o que se quer em termos de vida e de país. Um novo impulso para um novo capítulo. Continua…

*Ricardo Barretto é comunicólogo e educador. Pesquisa relações entre o corpo vivo, fluxos comunicativos e o ambiente. Diretor do ConeCsoma (www.ocorpoconecta.eco.br).